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quarta-feira, 2 de maio de 2018

MULHERES NO TOPO


    A valorização da mulher no cenário do rap
       

  Desde sua origem nas periferias das grandes cidades,o Hip Hop é considerado um instrumento de denúncia e transformação social. Dentro dos cinco pilares do movimento, formalizados pelo líder da Zulu Nation, Afrika Bambaata - DJ, B Boy(dança), Graffitti e Mc - o quinto elemento seria justamente o discurso que difere o Hip Hop dos outros gêneros musicais: a problematização, preocupação em transmitir uma ideologia questionadora em suas letras.
  Nesse sentido, pode-se afirmar que a principal luta travada pelas mulheres no contexto do Hip Hop se deu no enfrentamento às relações de poder e a valorização da identidade feminina. Com ênfase não apenas em questôes sociais ou raciais, mas também na problematização da inserção da mulher dentro desse ambiente. 
   Dentro desse contexto de denúncia, é necessário destacar como as conquistas das mulheres na sociedade e o debate sobre questões de gênero refletem também no âmbito da música: a inserção de rappers femininas e as transições e resultados de sua participação ativa dentro da cena, caminhando para alcançar seu merecido protagonismo.
   No último ano, a rapper Cardi B mostrou ao cenário do Hip Hop americano como as mulheres estão ganhando espaço: foi a primeira rapper a estar com cinxo faixa entre as Top 10 da Billboard simultaneamente. No prêmio Bet Hip Hop Awards 2017, a cantora destacou-se entre os premiados levando cinco categorias para casas, na frente de nomes como Kendrick Lamar, com quatro e Dj Khaled, com três.
   No Brasil, embora a história do Rap feminino seja mais tardia que nos Estados Unidos, o protagonismo feminino dentro do Brasil é cada vez maior. Nomes como Flora Matos, Cynthia Luz, Karol Conka, Lívia Cruz, já tem um reconhecimento grande na cena e um amplo repertório. No mesmo nível liricamente de rappers consagrados, tudo indica que a inevitável ascenção feminina dentro do Rap arrebentará as barreiras que impedem novas perspectivas e possibilidades, transmitindo confiança e união para o empoderamento feminino na sociedade. 
   Em entrevista para o Portal Underground, Cynthia Luz contou um pouco sua experiência dentro do cenário:

. Nos anos 90 as rappers se vestiam sempre om bonés e calças largas para que os homens prestassem atenção nas letras e não nos corpos. Você acha que isso mudou?
- Eu acho que ainda somos julgados como um pedaço de carne sim. Quando ouvem nossas letras é uma história, mas quando vão aos nossos shows, é outra completamente diferente. 

. Você acha que ainda existe medo das mulheres entrarem no cenário do rap?
- Infelizmente ainda é uma patota, até com as meninas. Às  vezes não é só ter uma letra boa e uma musicalidade boa, vai além disso. 

. A cultura machista incita a rivalidade entre as mulheres com o intuito de enfraquecer e invisibilizar o grupo. Você percebe isso no rap? Há rivalidade?
- De uns anos pra cá isso vem mudando. Nossa musica "poetisas no topo" foi um marco nesse sentido. Juntamos um monte de minas com muita coisa a dizer para um monte de macho. E isso tende a acontecer cada dia mais, se Deus quiser!

. O que você tem a dizer às meninas que querem entrar nesse cenário?
- Façam parcerias. E tenha algo a dizer que ninguém mais tem.

  Mais da metade da população, as mulheres do nosso país têm muito a dizer. E, principalmente entre as camadas mais jovens, o Rap tem sido canal para abordar não apenas o machismo, mas ideias, desejos e sonhos, que, por muito tempo, viveram à sombra do masculino.

 "Deixa ela"- Cynthia Luz







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