O Hip Hop é a força cultural mais influente dos últimos tempos. A estimativa é de que 500 bilhões de dólares sejam movimentados pela indústria anualmente. É isso que Jeff Chang, jornalista e crítico de hip hop dos Estados Unidos, escreve em seu livro Can’t Stop Won’t Stop: A History of the Hip – Hop Generation, vencedor do prêmioAmerican Book Award de 2005.
Mais do que lírica, batida e ritmo, para Jeff, o Hip Hop é uma definição que pode elucidar os movimentos e comportamentos de uma geração: os filhos dos anos 70, 80 e 90.
Mais do que lírica, batida e ritmo, para Jeff, o Hip Hop é uma definição que pode elucidar os movimentos e comportamentos de uma geração: os filhos dos anos 70, 80 e 90.
“A ideia da geração hip hop reúne de uma só vez as noções de tempo, raças, lugares e espaços, diversidade cultural, beats quentes e pesados, e estilos musicais híbridos. Ela descreve as tendências e as mudanças que foram geradas da política para a cultura, assim como os processos de entropia e de reconstrução.” E, ainda, escreve Chang: “Ela captura as esperanças e os pesadelos coletivos, as ambições e os fracassos daqueles que, de outra forma, seriam descritos como integrantes da geração pós isso ou pós aquilo.”
No início dos anos 80, o líder da banda Zulu Nation e precursor do hip hop, Afrika Bambaata, já nomeava essa dominação sofrida pela cultura americana dos ritmos, batidas e das efervescências multiculturais. Num hip hop ainda emergente, os sete minutos e trinta e um segundos de Planet Rock, originalmente lançada num vinil de 12 polegadas pela gravadora Tommy Boy, foi mais do que um divisor de águas no desenvolvimento do movimento, mas a evidência que a obsessão pelo ritmo era um traço compartilhado por uma geração. O som influenciou decisivamente o caminho que muitas vertentes da música iriam seguir dali para frente. Em um contexto de Guerra Fria, ameaça de conflito nuclear, corrida espacial e de busca de novos horizontes, a mistura futurística que se utilizava de baterias eletrônicas para criar ritmo deu início ao estilo electro, na música eletrônica e influenciou o techno, o house, o trance, entre outros. No caso do funk e dos bailes no Brasil, Planet Rock pode ser considerada o marco zero.
Em uma entrevista, Bambaataa relembrou o impacto que a música causou quando tocou o vinil pela primeira vez no Bronx:
“Foi uma histeria. Lembro que tive que fazer três rewinds [a técnica de voltar um disco até o começo com as mãos] porque as pessoas não paravam de gritar. Nas caixas de som, Planet Rock soava ainda mais forte. Depois dela, sabíamos que não havia mais como voltar atrás. O futuro estava traçado. E ele era eletrônico e funky.”
Em um movimento crescente, as rimas apuradas e velozes, a dança e a arte se fundiram em um amálgama entusiasta que pulsava a emergência da massa jovem e urbana, marginalizada racial e politicamente, de uma Nova Iorque em ruínas, que apresentava níveis de desemprego de jovens ultrapassando os 60%. “Enquanto a cultura do blues havia se desenvolvido dentro de condições de trabalho opressivas, numa época em que o trabalho, não raro, era forçado, a cultura hip hop desenvolveu-se em meio a condições de não trabalho.” Afirma Jeff Chang.
No entanto, apesar de toda essa efervescência, há uma massa que acredita que a fonte de criação artística da música popular secou após a década de 70. É a mesma massa que estigmatiza o Hip Hop como violento e só o enxerga como ruído. Quem assimila o rap ao barulho falha em perceber que Rolling Stones também não soavam como canções de ninar para a geração de Frank Sinatra.
Forjado no fogo do Bronx no último terço do século XX, o Hip Hop se tornou esperança de uma juventude rebelde e indomável. Numa era de desindustrialização e globalização, se cristaliza uma perspectiva multirracial e cultural, traçando uma frente de oposição à discriminação, às desigualdades e compreende os sonhos e os pesadelos coletivos que definem os movimentos de uma geração.

Nossa, super maneiro!! Jamais imaginei!!
ResponderExcluirexcelente texto!
ResponderExcluirHip Hop é muito bom! Escuto todo dia!
ResponderExcluirQuanto conteúdo relevante! Parabéns pelo texto.
ResponderExcluiradorei! muito bem escrito!
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